Hoje é o 110º aniversário da escritora/poetisa Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ,1901 - 1964). Uma mulher cujas palavras me tocam a alma. Minha musa inspiradora e fonte de onde bebo para poder escrever. Por isso, em sua homenagem, faço ressoar o que ela fazia de melhor: 

Sugestão


Sede assim — qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Flor que se cumpre,
sem pergunta.

Onda que se esforça,
por exercício desinteressado.

Lua que envolve igualmente
os noivos abraçados
e os soldados já frios.

Também como este ar da noite:
sussurrante de silêncios,
cheio de nascimentos e pétalas.

Igual à pedra detida,
sustentando seu demorado destino.
E à nuvem, leve e bela,
vivendo de nunca chegar a ser.

À cigarra, queimando-se em música,
ao camelo que mastiga sua longa solidão,
ao pássaro que procura o fim do mundo,
ao boi que vai com inocência para a morte.

Sede assim qualquer coisa
serena, isenta, fiel.

Não como o resto dos homens.


Cecília Meireles, in 'Mar Absoluto'


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Singelo X Requintado

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Em uma lanchonete, olhei os diversos tipos de bolos e tortas para escolher qual eu iria comprar. Àquele ditado “comer com os olhos” aplicou-se mais uma vez. Então comprei a mais enfeitada, pois me parecia mais gostosa. Ao degustar, porém, o sabor não correspondia a beleza. Resultado: acabei gastando um pouco mais, porque a torta mais enfeitada era a que parecia a melhor opção.

Da mesma forma, nós cometemos esse erro todos os dias nas escolhas da nossa vida. Optamos pelo que é mais requintado e deixamos de lado o que é singelo. Esquecemo-nos que grande parte do que nos faz felizes por mais tempo são as pequenas coisas. O simples é suplantado pelo composto porque estamos condicionados a pensar que ele não é o melhor.

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Na carta do apóstolo Paulo aos coríntios capítulo 13, ele fala que fazer grandiosas coisas sem que tenhamos o mais singelo dos sentimentos, o amor, de nada adianta. Isso se aplica a tudo. Experimente começar de baixo e só então passe a aprimorar. Não adianta querer algo grande quando você não tem, nem sequer, o controle sobre o que é mais simples. 
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"Aquele que gosta de ser adulado é digno do adulador." (William Shakespeare)

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Se você é uma pessoa que adora receber elogios e detesta as críticas, é bom rever um pouco seus conceitos. Tal comportamento dá a entender que só a sua opinião é a verdade absoluta e, portanto, não precisa da avaliação de ninguém. Se assim o é, como poderá então progredir ainda mais se não está aberto às novas situações propostas?

Se a crítica for destrutiva, mas tiver um fundo de verdade, não se detenha à intenção e acate o juízo de valor. Não é porque a pessoa falou com o propósito de te ferir que você não irá tirar proveito da opinião dela. Com isso, você acaba mostrando que ao invés de diminuí-lo, a pessoa acabou contribuindo para o seu crescimento.


A teoria é linda e a prática exige esforço, não é mesmo? Mas, acredite, o tamanho da complexidade de tal atitude é diretamente proporcional a sua evolução pessoal. Como cristãos, somos convidados a encarar toda crítica que nos for dirigida como instrumento de crescimento. Para enfrentar as agressivas, lembremo-nos das cartas dos apóstolos que ensinam a correção mútua para a progressão de todos. Tentar não custa nada.


Guernica - O retrato de uma guerra - Pablo Picasso - 1937


Algumas citações sobre correção cristã

2Tm 4,2
1Tm 6,2
1Cor 4,14

Rm 12,8
Cl 3,16
1Tm 5,20

1Tm 5,1
Rm 15,14
Tt 1,13
Mt 18,15

“Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem.” Santo Agostinho

“O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica.” Norman Vincent Peale









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Tire as pedras de seu caminho

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Há pessoas que abusam da misericórdia de Deus e esquecem que Ele também é justo. É evidente que sempre damos uma mancada, mas pisar na pedra e voltar a pisar nela é demais. Não podemos ser como o poema de Carlos Drummond de Andrade onde “no meio do caminho tinha uma pedra tinha uma pedra no meio do caminho” e ninguém que passava por lá a tirava. 
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Se passamos por um obstáculo, mesmo que seja sem maiores esforços, e não removemos ele do local, um dia poderemos esbarrar nele. É, pois, necessário que retiremos qualquer barreira de nossa frente. Um dia ela pode se tornar um abismo entre você e Deus. 


Uma camisa que se rasga pode ser costurada. No entanto, se você volta a rasgar no local costurado, o conserto não será tão fácil assim. Assim, se você enchê-la de rasgos, ela não mais prestará. 
Jesus fala disso: “Ninguém põe remendo novo em roupa velha, porque o remendo de pano novo, contraindo-se, arrancaria parte da roupa velha, e ficaria pior o rasgão". (Mt 9,16) Portanto, cuide para não costurar demais sua vida. Se possível, vista-se de uma roupa nova e se desfaça da velha que só te separa do Senhor. 

De uma forma mais clara, o encontro de Jesus com a mulher adúltera é um das passagens bíblicas mais comoventes e repletas de ensinamento. Ele deixa claro que não veio para julgar, mas que é preciso ter uma atitude de mudança: “Vá e não peques mais”. (Jo 8,11) E quantas vezes não repete isso  para nós quando pedimos perdão? Uma tarefa nada fácil, mas que pode ser realizada. 

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Será que você conhece de verdade?

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Não é incrível como todo mundo diz conhecer Deus e vemos tantas cenas chocantes e notícias ruins? Se, pelo menos, a metade dessas pessoas mostrasse que O conhecem na prática, nossos olhos seriam poupados de ver algumas realidades desagradáveis. Diante disso, não é a hora de repensar se conhecemos, de fato, o Senhor?  E não digo isto por conta própria, digo a partir das palavras de Jesus. Ele falou: “Toda árvore é conhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem se apanham uvas de plantas espinhosas.” (Lc 6,44)

O apóstolo João deixa a sutileza de lado e é bastante incisivo na questão: “Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade”. (1 Jo 2,4) Duras palavras, não é mesmo? Mas deixam claro que o conhecimento de Deus é, no mínimo, a busca para fazer a sua vontade. É óbvio que estamos suscetíveis ao erro, mas isso não pode ser usado como justificativa para deixamos de praticar o que dizemos conhecer.

Entretanto, não se pode sair por aí condenando as pessoas por suas incoerências (Lc 6,37-38). O que cabe a nós é orientar para que o falar esteja condizente com o fazer. (Mt 18,15) Deus, com toda a certeza, ficará muito feliz se todos realmente o conhecesse. (Mt 18,11-14)

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O direito de cair e o dever de se levantar

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Você não precisa se desesperar se a missão que Deus te confiou está pensando demais e desistir parece a melhor solução. É normal que o cansaço venha sobre nós depois de enfrentarmos obstáculos para realizar o que o Senhor nos confiou. Desistir, no entanto, não é a decisão mais correta e coerente a ser tomada. Afinal, alguém nos escolheu e nos deu um trabalho para ser realizado. 

 “Se a cruz lhe pesa, não é para se entregar. Mas para se aprender amar, como alguém que não de

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siste. A dor faz parte do cultivo desta fé, pois só sabe o que se quer quem luta para conseguir ser feliz”, diz o Pe. Fábio de Melo, na canção não desista do amor. Em tal estrofe, ele sintetiza vários ensinamentos que Jesus em que Ele exaltou a persistência de muitos. Um grande exemplo é do paralítico que o passam pelo telhado para que ele pudesse chegar perto de Jesus e ser curado. Cristo, vendo o esforço, recompensou-o com a cura e perdão dos pecados (Mc 2,1-12). 
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Veja que para alguém que não lhe foi dada nenhuma tarefa ele socorreu. Imagine, então, se não te aliviará o peso da tua missão. “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” (Mt 11,28) E lembre-se que, por ter-nos confiado, Ele espera o nosso melhor. (Lc 12,48) É sempre bom recordar que o Senhor está realizando a missão conosco. “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mt 28,20b) 








Lc 11,5-8; 18, 1-8; 19,1-10 
Mt 10,26-31 
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Caminhar para algum lugar

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O mundo está cheio de caminhos a serem seguidos e, em cada um deles, são ofertadas possibilidades. Obviamente, você escolherá aquele que mais te atrai. Mas, é bom enfatizar, o mais atraente não é necessariamente o melhor. Se você pode voltar? É Claro que sim! O problema é que, a cada rota errada que seguir, um tempo precioso será jogado fora.


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Se tomou a via incorreta ainda é hora de recomeçar. Está com vergonha ou tomado de orgulho? Não precisa. Todos já seguimos por caminhos que não nos fizeram bem. Entretanto é bom atentar para os atalhos, porque eles podem-te levar de volta ao mesmo lugar. Perder tempo, eu repito, em estradas que não nos levam a canto algum, pode nos custar caro. Afinal, ninguém sabe até quando viverá. Não é mesmo?



Sugestão: Jo 14,4-6
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Apto e inapto?

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A frase bastante difundida no meio cristão que diz “o Senhor não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos” tem lá seu sentido, mas não é totalmente verdade – se é que existe meia verdade. Afinal, Jesus escolheu muitos que têm uma “bagagem” que foi imprescindível, inclusive, para a difusão e crescimento da sua Igreja. Quando chamados por Deus, e aí é outro ponto a ser abordado, somos convidados a nos instruímos para melhor servi-lo. Ao menos, foi assim que o Cristo agiu com os apóstolos: chamo-os e foi dando-lhes ensinamento para que pudessem estar preparados quando chegasse a hora (Jo 16, 1-7). 

É bom perceber que alguns de nós acabamos adquirindo mais conhecimento, outros mais perseverança, outra ainda fé. O que ocorre é a capacitação na área em que mais você se dedica, não é verdade? (Mt 7,8; Lc 11,10) Aquele, contudo, que fica esperando Deus lhe capacitar vai acabar ficando a vida toda sem lapidar ou, quem sabe, descobrir o seu dom (Mt 25,1-30; At 1,11). Para tanto não é necessário ir muito longe, basta ser dedicado como o apóstolo Pedro era. Isso implica, portanto, em altos e baixos. Afinal, o processo de aprendizagem passa pelo erro.

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Alguns já devem estar se perguntando quanto àqueles capacitados que afirmei no início do diálogo.  O exemplo (e já está virando clichê em minhas explanações) mais claro é Paulo de Tarso. Ele era um fariseu daqueles fervorosos e, como todo bom fariseu, entendia bastante das sagradas escrituras. É bom recordar que sua formação foi com o doutor da lei venerado por todo o povo chamado Gamaliel (At 5,34; 22,3) – àquele que planejou a morte de Jesus com Anás e Caifás. Paulo, vale ressaltar, fez uma “releitura” (interpretando) do Antigo Testamento nas suas cartas.

Não quero, no entanto, descreditar a usual frase. Mas é sempre bom analisarmos aquilo que estamos falando por aí, não é mesmo? É bom lembrar que todos estamos em constante capacitação. A plenitude é um caminho longo e que, acredito eu, só se chega no Reino de Deus (Cl 1,19).






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O conhecimento envaidece

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Quando chega o tempo em que a sede de Deus já está saciada e achamos que não há mais o que buscar, é preciso que se acenda a luz de alerta. A chegada neste estágio se dá, em geral, com aqueles que têm certo tempo de caminhada cristã. O motivo mais comum é o pensamento de que já tem “maturidade” suprema e que nada mais pode ser acrescentado à sua relação com Deus. A tendência para quem chegou nesse estágio, daí por diante, não é nada boa.

O apóstolo Paulo já havia mencionado, em suas cartas, tais atitudes e fez questão de mostrar que elas em nada são condizentes com a proposta de vida apresentada por Cristo Jesus. “Mas o conhecimento envaidece; é o amor que constrói. Quando alguém julga ter alcançado o saber, é porque ainda não sabe onde está o verdadeiro conhecimento
(1Cor 8,1b-2). Sua menção, na verdade, é uma leitura das palavras já ditas pelo Filho de Deus.

O episódio do envio dos apóstolos, dois a dois, para a missão relata que Jesus fez um pedido especial: não levar nada, além do cajado e das sandálias. A mensagem contida nesse relato é o despojar-se de tudo para servir. Esse tudo inclui nossas vaidades, embora seja difícil. A parábola do fariseu e o
 publicano (Lc 18, 9-14) foi contada para desmontar qualquer ideia de que alguém possa ser superior, mesmo que observando os mandamentos todos (Mt 19, 16-21). 
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João, o apóstolo do amor, relato incessantemente em suas três cartas qual é o verdadeiro conhecer a Deus. “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou (1 Jo 2,6)”. Isso significa ter consciência de suas habilidades, mas não deixar que elas te deixem vaidoso. Ou alguém já viu algum relato de que o Senhor foi leviano em suas ações e palavras? Quando achamos, portanto, que já fizemos tudo pelo reino, Deus vem e nos mostra que ainda há muito a ser feito. Ele nos revela que não importa o tempo que você está servindo ou quanto você conhece sobre Bíblia, é preciso estar nascer todos os dias – como propôs Jesus a Nicodemos (Jo 3, 1-8). 


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Evidência

Jesus multiplicou os pães e deixou para nós a tarefa de multiplicar as atitudes cristãs. Quando, porém, o egocentrismo humano toma o lugar dessa missão confiada por Cristo a nós, o que acontece é uma subtração desmedida. Geralmente, faz-se uma expressão numérica, onde deixamos que o agir cristão ter altos e baixos – o que é normal. Quem muito usou esse modelo de ação foi o apóstolo Pedro, que vez e outra saía da linha. Contudo, é bom lembrar que ele o fazia de maneira cândida, com a mais pura intenção de acertar.

http://jornal-da-assembleia.blogspot.com/2010/06/tudo-para-satisfacao-do-ego.html
Todos nós, por vezes, somos vítimas de nosso ego. O comportamento egocêntrico contrapõe os planos de Cristo na nossa vida. É claro, que ele compreende nossas limitações, mas isso não pode ser uma desculpa para repetirmos tal atitude. A cena do Senhor multiplicando os pães para 5 mil pessoas (Mc 6, 35-44; Jo 6, 1-15; Mt 14, 15-21; Lc  9,10-17) nada mais é que uma pregação exortando a solidariedade em todos os sentidos, o que vai além do simples ato de repartir. 


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