As pessoas vivem preocupadas com o futuro de suas vidas. Mas quantas delas vivem o agora? Poucas, não é mesmo? Pois é justamente nessa questão que falhamos. Basta que lembremos o ensinamento que Jesus nos deu (Mt 6,34): “Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” Isso não significa que viveremos ao Deus dará. De forma alguma! O que Ele quer dizer é que preocupações demais acabam nos impedindo de viver, crescer, aproveitar bem.
Lembram dasemente que caiu em terreno espinhoso (Mc 4,7)?Jesus explica que os espinhos são as preocupações deste mundo. Diz que a palavra até desabrocha, mas acaba sufocada e, consequentemente, não dá frutos. Podemos também comparar com umaprova daescola: quando o aluno se preocupa e estuda o suficiente, a tendência é um bom resultado; entretanto, se fica martelando em sua cabeça e estudar demais, provavelmente não se sairá bem.
Hoje somos pressionados a estar sempre em movimento, o mundo anda frenético demais. Mal temos tempo para olharmos nossos semelhantes e a enxergar as belezas criadas por Deus. E, bem, parece até que “ninguém vê aonde chegamos”, como poetizou Renato Russo. Indo contra esse modo de vida, o Senhor nos ensina que é preciso viver cada coisa no seutempo.É bom lembrar, também, que o ritmo acelerado nos torna mais propensos aos erros. A dica, então, seria ponderar. Deixo uma sábia indicação, do mesmo Renato Russo: “Nãovou medeixar embrutecer, eu acredito nos meus ideais. Podem até maltratar meu coração, quemeuespíritoninguémvai conseguir quebrar. “
A vida não é fácil para ninguém. Para aqueles que são cristãos, o grau de dificuldade aumenta. Não que sejamos os melhores, os santos ou salvos. Viver torna-se mais difícil porque o Filho de Deus nos encarregou de ir ao mundo e pregar o evangelho a toda criatura (Mc 16, 15); e Jesus deixou bem claro que se alguém o quisesse seguir deveria negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo (Mt 16, 24). No entanto, em diversas ocasiões, esquecemos do nosso compromisso.
Um grande homem, chamado Mahatma Gandhi, fazia duras críticas aos nossos desvios. “Não conheço ninguém que tenha feito mais para a humanidade do que Jesus. De fato, não há nada de errado no cristianismo. O problema são vocês, cristãos. Vocês nem começaram a viver segundo os seus próprios ensinos”, dizia Gandhi. Em partes, ele estava corretíssimo, porque via o todo. Entretanto, não se pode julgar a família por um ou dois membros. Por outro lado, é bom que estejamos atentos ao que as pessoas falam a nosso respeito. Cristo já dizia que as pessoas iriam nos reconhecem se nos amarmos uns aos outros (Jo 13, 35). E quando não fazemos isso, bem, aí somos conhecidos como hipócritas.
Toda e qualquer atividade que desempenhamos é vista por alguém. Se assim não o fosse, Jesus não pediria para que nós estivéssemos vigiando e orando sem cessar (Mc 14, 38). Contudo, fazer a vontade de Deus só por medo do falarão sobre você não lá muito digno do ser cristão. É como lavar os pratos para não ouvir as intermináveis reclamações da mãe ou, mesmo, para receber elogios. Seria válido agir assim? O Senhor ficaria feliz com essas ações? Particularmente, creio que não!
Certamente essas não são palavras fáceis de serem “digeridas”. Mas se faz necessário. Exortem-se uns aos outros (Lc 17, 3-4)! Jesus já havia pedido isso e Paulo reforçou, em suas cartas, a vontade Dele (Rm 12, 9-21; 15,14) Renunciar às nossas vontades e desejos não é uma tarefa fácil, mas pode ser feita. Muitos já conseguiram e nós também podemos. Eu garanto: Àquele que te chamou ao serviço, nunca te deixou só, nem por um segundo! Creia! “Vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,20).
Há pouco escutava uma apaixonada canção e, em meio às lindas palavras cantadas, meus ouvidos se deleitavam. Mais que a melodia e a bela voz, a emoção impressa me impressionava. Vez e outra encontramos expressões artísticas que nos arrebata e faz-nos sentir como que em um sonho, não é verdade? Com Jesus Cristo é a mesma coisa! Ele nos leva a sonhar acordados e nos revela a verdadeira face do amor. O problema, como na comovente música, é a interrupção dessa conexão.
Bem, no caso da canção, não existe uma infinita ou mesmo alguém que escute 24 horas. Com Cristo, no entanto, é possível manter-se conectado o tempo todo. Diferente da harmonia de sons, que pode ter um intervalo, interromper o contato com o Filho de Deus não nos faz bem. Só Nele a felicidade tem seu sentido lídimo e completo. Posso substituir uma boa música por um bom livro, por um filme, ou qualquer outra atividade aprazível. Mas, e com o Senhor, será que é a mesma coisa? É claro, que não! Nada apraz mais a alma que Deus. Eu repito: nada!
Dito isso, é preciso que saibamos dar às coisas o seu devido lugar. Não existe alguém ou algo que possa suprir a ausência do Senhor. Portanto, não deixe separar da graça Divina. Ela é o único alimento do seu espírito. Não estou afirmando que as outras coisas são vãs. Contudo, elas passam. Só Jesus nos oferece a felicidade que nunca perece. Ria, cante, leia, se divirta, dance, pule, ame. Mas nunca deixe de ouvir a canção eterna do amor de Deus.
Cada um de nós sabe o momento exato em que deve rever algumas áreas da sua vida e, se preciso for, gerar uma mudança? Se todos sabem, não sei. Mas que deveríamos, isso, creio que sim. Afinal, um dia somos cobrados por aquilo que vivemos.
A lagarta, antes de se tornar uma linda borboleta, passa por transformações. No entanto, existe uma grande diferença entre ela e nós. A lagarta fica no casulo até que a metamorfose se complete. Nós, por outro lado, não paramos nossas vidas para fazer mudanças. Nossas vidas frenéticas não nos deixam parar um segundo sequer. Isso acarreta um pouco mais de vontade, por nossa parte, para evoluirmos um pouco mais. Esconder-se, como a lagarta, não é possível.
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Existe uma frase de Rubem Alves que diz: "Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses". Tal frase nos anuncia que haverão muitas transformações; que todas elas serão em silêncio – como que se fosse o segredo para o êxito – para que as borboletas apareçam; e que serão longas, ou seja, exigem-nos paciência.
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Enquanto se faz de espontânea vontade a opção de mudar, tudo corre bem mais fácil. Alguns casulos, entretanto, nos são impostos. Esses, são bem mais difíceis, porque o fazemos por obrigação. O bom mesmo é refletir e perceber aquilo que deve ser mudado, para fazer as devidas modificações. Pensar que – quando borboletas – voaremos, é um incentivo para reavaliarmos nossas vidas e entrarmos no casulo.
Amor não rima, de jeito nenhum, com imposição. Aqueles que acreditam amar alguém e vivem impondo suas vontades sobre o ser amado, estão no caminho errado. Porque, agindo assim, em dado momento do relacionamento isso irá explodir como uma bomba relógio que está programada para detonar.
Antoine de Saint-Exupéry diz que amar não é olhar um para o outro, é olhar juntos na mesma direção. Nesse sentido, no amor não há espaço para a vontade pessoal. Os amantes — amigos e/ou casais – devem agir conforme o que ambos acreditam ser o ideal para conviverem em harmonia. Do contrário, não perdurará. Aliás, isso é algo que vemos muito nos dias atuais. As pessoas vivem se separando por divergentes visões.
No entanto, cada um deve preservar sua própria personalidade e modo de pensar. Aí é onde reside o problema! Como olhar numa mesma direção e manter sua identidade? Bem, esse é o grande desafio e não existe nenhuma fórmula mágica porque, se o tivesse, seria muito rico – quase uma porção para a felicidade. Mas, se ajuda, vai uma dica: o “nós” é soma de “eu’s”. Logo, o “nós” só existe se os “eu’s”existirem.
Relacionar-se é um verdadeiro jogo de cedimentos. Hoje um cede, amanhã o outro que faz a vez e vice-versa. Se apenas um é o cedente, como já foi dito antes, isso caminha para o abismo. Portanto, quem não volver o olhar na mesma direção do amante, pode nunca mais vê-lo. Por isso, sempre devemos lembrar de dialogar, pois o diálogo é a ponte que leva ao mesmo lugar.
A semana que chamamos santa compreende, a grosso modo, a memória dos últimos passos de Jesus Cristo na terra. Nela, memoramos a última ceia de Cristo com os apóstolos, a sua morte e ressurreição. Nesses dias, somos convidados a reflexão sobre Aquele que doou sua vida por amor à humanidade.
As Igrejas ficam lotadas de fieis chorosos, contritos e fervorosos. Mas, aonde se escondem durante o restante dos dias? Para nós, cristãos, é muito triste ver que só lembram do Senhor em algumas datas do ano. Por outro lado, é bom saber que, ao menos algumas vezes, o Senhor é lembrado.
Filme a Paixão de Cristo de Mel Gibson
Jesus Cristo se encarnou, peregrinou, deixou ensinamentos, deu sua vida e venceu a morte por todos. Como retribuição, fazemos Dele uma farmácia – que só lembramos quando precisamos – aonde vamos lá, pegamos o que necessitamos e só voltamos caso haja necessidade. Então os açoites, bofetadas, a coroa de espinhos, o peso da cruz, as quedas, a humilhação, os pregos encravados e a crucificação seriam em vão? Creio que não!
Nosso Senhor Jesus Cristo deveria ser lembrado todos os dias. Todos os dias deveriam ser de conexão direta com Ele. Se a metade disso fosse feito, não ficaríamos pasmos com as notícias diárias. Porque não há fatos trágicos, se Deus é o centro do nosso viver. Ao invés disso, vivenciamos o sofrimento das mazelas do mundo – sem a isenção de ninguém, pois colaboramos com pequenas coisas para o caos existente. Toda semana pode ser santa, embora sejamos pecadores, só depende de nós!
“Não me entrego sem lutar, tenho ainda coração. Não aprendi a me render, que caia o inimigo então.” Essas palavras, do poeta Renato Russo na música metal contra as nuvens, não deveriam ser a bandeira das pessoas? É lamentável ver tantos desistindo de seus sonhos, ideais, objetivos e/ou projetos, por conta do cansaço da batalha. Gostaria, e desejo muito, que essas palavras pudessem reavivar o espírito de perseverança dos que desanimaram.
Na primeira afirmação, o poeta diz que não se entrega sem lutar porque ainda tem coração. O ainda ter coração remete ao sentimento de dor que iria se abater sobre ele, caso desistisse da luta. E não é bem verdade, isso? Quando lembramos de alguma desistência nossa, vem-nos um arrependimento e uma certa dor – dependendo do que deixamos de lado – que seria melhor ter lembrado de uma derrota a ter que lembrar de um acovardamento.
Na segunda parte, Renato Russo fala de um ensinamento muito interessante: não se render. Nunca aprendera a se render, por isso não iria se entregar. Portanto, se não se rende, ou o inimigo (dificuldade, problema, obstáculo) cairia ou seria ele que iria cair. Quando diz ‘que caia o inimigo então’, ele afirma que não reconhece , de modo algum, a vitória do que se opõe à ele. Só cogita a possibilidade de vencer, nada ou ninguém mais venceria.
fenahall 18/01/2009
O trecho da música que aqui citei, não cabe outra interpretação – dentro daquilo que falei – se não a de pertinácia nas atribulações e na busca dos sonhos. Quero concluir alertando quanto ao resultado de nossa tenacidade: nem sempre ganharemos, mesmo que lutando muito. Como disse Albert Eistein: “Mesmo desacreditado e ignorado por todos, não posso desistir, pois para mim, vencer é nunca desistir.” Logo, ganhando ou perdendo, você será um vencedor se não desistir de você mesmo!
É impressionante como algumas pessoas pensam que a fé tem a obrigação de explicar quase tudo. Vivem questionando a veracidade da crença do indivíduo e ‘pondo-o contra a parede’ na tentativa de ridicularizar o seu credo. Não aceitam o simples ato de acreditar, esperam que se comprove. Mas, se é fé, por que deveria ser explicada?
É sabido por todos nós que a fé nada de tem de inteligível. Pelo contrário, ela nos faz confiantes naquilo que não podemos comprovar. Crer presupõe confiança em algo impalpável. Pessoas fervorosas são admiráveis! Elas não têm nada de concreto além do que sentem em seus corações.“Ter fé é dançar na beira do abismo”, disse o filósofo alemão Friedrich Nietzsche.
O que muitos acabam fazendo é confundir fé com religião. Fé, a grosso modo, é acreditar em algo ou em alguma coisa. Já a religião, conforme o dicionário Houaiss, é um sistema de doutrinas, crenças e práticas rituais próprias de um grupo social, estabelecido segundo uma determinada concepção de divindade e da sua relação com o homem. Ou seja, as duas complementam, mas não são a mesma coisa.
Portanto, congregar numa religião qualquer um pode, mas a fé exige que sejamos confiantes mesmo sem evidências palpáveis. É, literalmente, o ‘dançar na beira do abismo’ que Nietszche fala. Cremos, e nem sabemos o porquê. Só temos um certeza que vem do nosso íntimo e nos lançamos.